Jovens se tornam protagonistas na busca por soluções pessoais e coletivas

O Brasil tem 51 milhões de habitantes com idades entre 10 e 24 anos, de acordo com o estudo The State of The World Population, produzido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por questões populacionais. É justamente nessas fases da vida – na adolescência e juventude – que grande parte da população brasileira sofre com a violência, com o envolvimento com as drogas e a criminalidade, com a falta da formação profissional, com a dificuldade na entrada no mercado de trabalho e no acesso à cultura, arte e entretenimento.

A adolescência e a juventude são fases de descobertas, dúvidas e decisões. Nesta época, é preciso despertar no público jovem a reflexão sobre questões importantes, tanto no universo particular quanto no coletivo. É necessário mostrar que o jovem pertence à sociedade e, como membro, precisa ter voz e presença. Mesmo ainda com pouca experiência, o jovem precisa se tornar o autor da sua própria história, um cidadão ativo em busca de soluções para si mesmo e para a comunidade. Esse é o empoderamento jovem.

No dicionário, o termo empoderamento (ou empowerment, em inglês) está ligado à conquista da condição e da capacidade de participação, à inclusão social e ao exercício da cidadania. Com o empoderamento, o indivíduo conquista a liberdade de decidir e de controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao próximo, tendo a real chance de superar uma realidade – muitas vezes estagnada ou negativa – em que se encontra.

Assim como existem exemplos de jovens que insistem em ficar apenas de braços cruzados diante dessa realidade, há também jovens cheios de vontade de mudar. Não somente suas realidades particulares. Muito mais que isso. Querem mudanças na escola onde estudam, no bairro onde moram, na sociedade onde vivem. Na cidade de São Paulo, por exemplo, cresce o número de meninas que têm se organizado em coletivos para discutir temas como assédio sexual e bullying, seja presencial ou eletrônico; homofobia; machismo; veto ao uso de determinadas roupas, entre outros assuntos (veja a matéria completa em: http://goo.gl/aULbVL).

Na região de Paraty (RJ), Angra dos Reis (RJ) e Ubatuba (SP), jovens indígenas, quilombolas e caiçaras também estão cada vez mais unidos para participar do presente e do futuro das comunidades. Dessa união, surgiu a formação de núcleos jovens que querem manter viva a história do povoado, além de avaliar e conter os impactos do avanço imobiliário nas comunidades, na natureza que circunda o território, na cultura tradicional e no futuro deles próprios.

O projeto Cinema no Mato, incentivado pelo Instituto Equipav, também tem essa finalidade: garantir ao jovem a chance de conhecer e se aprofundar em uma nova arte (a produção de vídeos para cinema, TV e internet) e dar a eles o poder do conhecimento, do aprendizado, da cultura e da tecnologia para torná-los independentes. A iniciativa é realizada com estudantes entre 14 e 20 anos de escolas públicas de Primavera do Leste (MT) e também tem o objetivo de profissionalizar os alunos, ampliando as chances de ingressarem no mercado de trabalho.

Vale lembrar que jovens costumam ser inovadores e criativos. Pertencem a uma geração tecnológica e conectada. Têm habilidade de absorver uma grande quantidade de informações, decodificá-las e devolvê-las ao mundo de uma maneira diferente, talvez ainda não experimentada pela nossa sociedade. É por isso que oportunidade e direcionamento adequado precisam fazer parte da vida desse público para que, assim, possam enxergar que existe um mundo cheio de possibilidades que vão além do conforto do quarto ou da diversão da tela do celular.